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terça-feira, 26 de julho de 2011

A GENUFLEXÃO

O sentido etimológico da palavra genuflexão, vem do latim "genuflexione", oriunda de "genuflectere", que significa dobrar o joelho, ajoelhar; numa forma figurativa bajular, adular, reverenciar. Pode ser tomada, também, como um ato de respeito, submissão.
No aspecto religioso, adorar.
 
O ato de genuflectir, ou seja, dobrar o joelho, pode ser analisado de duas formas: dobrando o joelho esquerdo reverencia-se a majestade representando o poder humano: os reis, rainhas, imperadores, monarcas. É a forma usual dos súditos prestarem aos soberanos sua inteira submissão e o mais irrestrito respeito, obediência, pondo-se ao seu serviço para toda e qualquer eventualidade.
Dobrando-se o joelho direito é um ato de adoração, exclusivo da Divindade. Significa o culto a Deus, pois, somente Deus é adorado. Dessa forma não podemos dobrar o joelho direito às criaturas, seja qual for a autoridade que represente. Nem mesmo aos santos e nem à Virgem Maria, a Mãe de Deus. Podemos ajoelhar-nos frente ao altar dos santos para fazer uma oração, em sinal de respeito e veneração, jamais, numa atitude de adoração. Estaremos cometendo um ato de idolatria.

Qual o motivo que nos levou a refletir sobre a genuflexão?
Muito simples. A igreja é o lugar por excelência para o ato de genuflectir. Percebam bem. Não estou me referindo à atitude de prostar-nos com os dois joelhos em terra para rezar, pois, o ato de rezar, por si só, não significa adoração. Trata-se de uma foram respeitosa, de humildade, quando dirigimos uma prece a Deus, aos santos, ou à Virgem Maria. Ajoelhar-se, adorando a Deus é um ato de fé, de entrega total ao seu poder e divindade, que só a Ele é devido. E isso podemos fazer nas nossas casas, nos santuários e até nas grandes concentrações religiosas.
Quando falamos na igreja é porque lá, de modo especial nos é dada a oportunidade de genuflectir, na presença do próprio Deus, na Pessoa de Jesus Cristo com o seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade, na Hóstia consagrada que se encontra no sacrário.

Todos nós sabemos que, o que nos indica a presença de Jesus no altar, é uma lâmpada vermelha, constantemente acesa sobre o altar. Antigamente, embora algumas igrejas ainda mantenham a tradição, essa lâmpada era de cera, acesa num recipiente com óleo.
Nos grandes templos, abertos geralmente o dia todo, é comum não se ver a luzinha vermelha sobre o altar. Face ao grande movimento das pessoas, indo e vindo em todas as direções dentro da igreja, o Santíssimo Sacramento é colocado numa Capela lateral. O correto seria todos se dirigirem à Capela e lá, adorar a Jesus, Deus presente, entre nós.

Voltemos ao nosso tema.
Quando devemos fazer a genuflexão?
Ao entrar ou sair da igreja, vendo o sinal da presença de Jesus, fiquemos em direção ao centro do altar e dobremos o joelho direito, nunca o esquerdo, só se algum problema sério de saúde nos impedir. Quando digo, dobremos o joelho, significa que, apoiados no joelho esquerdo, levemos o joelho direito até o chão. Devemos fazê-lo devagar, com todo o respeito e principalmente com fé.

E se percebermos que Jesus não está no sacrário?
Da mesma forma fiquemos frente ao altar, façamos uma reverência com a cabeça, e, se for o caso, dirijamo-nos à capela ao lado e, se lá verificarmos que Jesus está no sacrário, façamos a nossa genuflexão e nos ajoelhemos para rezar.

E quando a hóstia se encontra no Ostensório, no centro do altar?
Significa que estamos face a face com Jesus, na Hóstia consagrada. Nossa postura será, então, diferente: devemos prostar-nos em terra, com os dois joelhos, levantar-nos e novamente ajoelharmos. Nossa atitude será de adoração a Deus, na Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, presente no altar.
Durante a celebração da Santa Missa, dobramos os joelhos no momento da Consagração. É aconselhável que dobremos os joelhos na elevação da Hóstia antes da comunhão.
Na Sexta-feira Santa fazemos a genuflexão diante do crucifixo, em sinal de adoração ao Cristo que nela foi crucificado.

A genuflexão não pode ser feita às pressas e, muitas vezes, virados para o lado, sem nem ao menos olharmos para o altar.
A genuflexão mais do que um ato de respeito é uma demonstração de fé.
Não pode ser uma atitude furtiva, mas consciente.Não é um hábito, uma encenação, ou um simples gesto.
Trata-se de uma profunda convicção do que estamos fazendo, ou seja, um depoimento público de fé.

 Por que estamos abordando esse tema tão do conhecimento de todos nós?
Não me levem a mal, por favor, e nem pensem que estou criticando a postura de alguém. Venho, há algum tempo observando que estamos procedendo de forma distraída, quando passamos frente ao altar, onde a luzinha vermelha nos indica a presença de Jesus. Alguns fazem uma reverência com a cabeça; outros um gesto imitando uma genuflexão; alguns com o joelho esquerdo; outros passam de um lado para o outro, repetidas vezes, num vai-e-vem, ignorando que Jesus está ali, no sacrário.
Quando forem à igreja, notadamente, em dia de casamento, batizado, missas solenes de aniversário e bodas, observem e tirem suas conclusões. Nunca é demais relembrar. E precisamos sempre que alguém nos advirta. Afinal, estudamos, ensinamos, praticamos os atos litúrgicos, infelizmente, os esquecemos, e de pressa! . . .

Conta-se que um velho vigário levou anos tentando converter um morador da sua paróquia. Com o passar do tempo, os dois ficaram até amigos, mas, o padre nada conseguira. Dera muitas lições ao infiel; emprestou-lhe muitos livros e principalmente rezava pedindo a Deus a sua conversão. E nada! Certo dia, depois de demorada solenidade, com a celebração da Santa Missa, esperou que todos os fiéis fossem embora e, como o sacristão pedira para sair logo após a cerimônia, foi fechar a porta do grande santuário. Voltando devagar, para a sacristia, quase se arrastando pelo peso da idade e cansado dos trabalhos do dia, ao chegar em frente ao altar, aprumou-se, encheu-se de energia e principalmente de fé e, devagar e com toda a piedade, fez a sua genuflexão. Mal levantar foi aturdido com altos gritos vindo do fundo da igreja: "Eu creio, padre, eu creio! Sei que Jesus está ali! Estou convertido!" O padre olhou para trás e viu o seu velho amigo infiel correndo para ele, falando em vós alta: "Eu quis provar a sua fé, padre! O senhor estava sozinho, foi o bastante para me converter! ..."

Na verdade, quantas pessoas poderão converter-se, com um simples ato de demonstração de fé da nossa parte!

sábado, 9 de julho de 2011

A melhor catequese sobre a Eucaristia é...


(ZENIT.org). - “A melhor catequese sobre a Eucaristia
é a própria Eucaristia bem celebrada”, assegura Bento XVI, ao exortar toda a Igreja a celebrá-la com toda a dignidade.
"A Santa Missa, celebrada com respeito pelas normas litúrgicas e com um uso adequado da riqueza dos sinais e gestos, favorece e promove o crescimento da fé eucarística”, garantiu o Papa.
"Na celebração eucarística, não inventamos algo, e sim entramos em uma realidade que nos precede; mais ainda, ela abarca o céu e a terra e, portanto, também o passado, o futuro e o presente.”

"... O Papa deu este conselho aos fiéis de Roma, em particular aos seus sacerdotes: “Celebrai os divinos mistérios com uma participação interior intensa, para que os homens e mulheres da nossa cidade possam santificar-se, entrar em contato com Deus, verdade absoluta e amor eterno”.
E exortou os católicos de Roma a “prestar mais atenção, entre outras coisas com grupos litúrgicos, à preparação e celebração da Eucaristia, para que os que participam possam encontrar o Senhor. Cristo Ressuscitado se faz presente em nosso hoje e nos reúne ao seu redor”.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

O mesmo e único sacrifício infinito de Cristo na Cruz!



Missa de cura e libertação, missa afro, missa sertaneja, showmissa...
 Afinal, essas definições constituem uma distinção entre uma missa e outra? Todas tem o mesmo valor?
Sua importância depende do padre que a celebra?

Abaixo, o esclarecimento de Pe. Cido Pereira, pároco na Paróquia N.S. das Dores, no bairro Casa Verde, vigário episcopal para pastoral da comunicação em SP e diretor do jornal "O São Paulo", dado a um ouvinte do programa
"Bom dia, povo de Deus", do qual é apresentador, na rádio 9dejulho católica:

"Certos nomes dados à missa confundem demais o nosso povo e muitos deles chegam a esvaziar o sentido profundo da celebração eucarística.
É o caso, por exemplo, dos tais “showmissa”, missa de cura e libertação, missa afro.
Na verdade existe só a missa.
A expressão “showmissa”´é profundamente desrespeitosa. Se cantores populares cantam na missa, tudo bem. Se depois da missa há um espetáculo musical, tudo bem. Mas chamar de “showmissa” o maravilhoso sacramento do altar é ir longe demais. 
A missa atualiza o sacrifício redentor do Cristo.
Por isso toda missa, qualquer missa é de cura e libertação.
É impróprio, portanto, realizar missas de cura e libertação, dando a impressão que as demais missas não o são.  Impressiona também o fato de se classificar a missa pelos padres que celebram. Vou à missa do padre x, do padre y. Todo padre age na pessoa do Cristo durante a celebração eucarística e achar que o nome do padre faz diferente a missa não é correto. Ultimamente se fala também em missa sertaneja. São missas em que as músicas são cantadas no estilo sertanejo. Nada demais se as missas cantadas foram compostas no estilo sertanejo. O que não é correto é colocar letra em música sertaneja de domínio público. Elas acabam sendo um desrespeito ao compositor original da música e um desrespeito aos compositores cristãos que produzem belíssimas composições com músicas belíssimas e letras que lembram o momento celebrativo. Agora, a missa afro, deveria ser uma missa igual a qualquer missa, valorizando, porém, a cultura afro no tocante à música e ao colorido das roupas. Mais do que isso é desrespeito ao Sacramento. Misturar nossos santos com divindades do candomblé, da umbanda, é desrespeito ao Sacramento." 

“Todas as Missas tem um valor infinito, pois são celebradas pelo próprio Jesus Cristo, com uma devoção e amor acima do entendimento dos Anjos e dos homens, constituindo o meio mais eficaz, que nos deixou Nosso Senhor Jesus Cristo, para a salvação da humanidade.”
(Santa Matilde)

Quando vocês vêm o sacerdote aplicado ao Santo Sacrifício, fazendo as suas preces, envolvido pelo povo santo, que foi lavado pelo precioso Sangue, e o divino Salvador que se imola sobre o altar, pensam vocês que estão ainda sobre a terra?
Não acreditam vocês estarem elevados até o céu?
Ó milagre! Ó bondade!
Aquele que está sentado à direita do Pai encontra-se por um momento entre nossas mãos e vai se dar àqueles que o querem receber”.
(São João Crisóstomo)

terça-feira, 5 de julho de 2011

O silêncio na Liturgia também comunica!

"Mistério não faz barulho, e menos ainda mistério de fé; apesar de precisar romper o silêncio para ser celebrado, partilhado, comunicado, festejado, é sempre acompanhado dele."

Com a reforma litúrgica do Vaticano II, o silêncio enquanto tal entrou nas normas como parte integrante das celebrações. A Constituição Sacrosanctum Concilium - após determinar que se deve incentivar a participação ativa dos fiéis através das aclamações, respostas e cânticos - acrescenta:
"Guarde-se também, em seu devido tempo, um silêncio sagrado".

"O silêncio orante, celebrante e participativo só se alcança à medida que se vai amadurecendo na fé e na própria dimensão humana da vida.
É fruto de exercício.
Só assim ele comunica."

E a Instrução Geral do Missal Romano reafirma essa determinação, quase nos mesmos termos:

"Oportunamente, como parte da celebração, deve-se observar o silêncio sagrado".
Como que para ressaltar a importância do silêncio nos atos litúrgicos, o Apocalipse nos mostra que ele era observado até na "grande liturgia celestial":
 "Quando o Cordeiro abriu o sétimo selo, fez-se silêncio no Céu durante cerca de meia hora" (Ap 8,1).

E o Pe. Antonio Alcalde exprime o bom efeito desses períodos em que cada fiel se recolhe para ouvir em seu coração a voz da graça:
"Na música calada, na música divina do silêncio, na solidão sonora, na harmonia interior de cada um, Deus fará ressoar sua eterna melodia de amor para com todas as suas criaturas".

"Um dos elementos de maior valor na celebração litúrgica"
O silêncio na Liturgia não é, portanto, um mero tempo de mutismo, nem de espera vazia, entre duas partes da celebração. Pelo contrário, ele é conatural com a oração, é uma abertura para Deus e um reencontro consigo mesmo.
E longe de reduzir os fiéis a expectadores estranhos e mudos, ele os integra "mais intimamente no mistério que se celebra, em virtude das disposições interiores que derivam da palavra de Deus que se escuta, dos cantos e das orações, e da união espiritual com o sacerdote", conforme consta na Instrução Musicam sacram...
... O Pe. Antonio Alcalde é ainda mais categórico, pois o qualifica como sendo o auge da prece: "Deve-se explicar devidamente aos fiéis a razão do silêncio litúrgico, o qual não é o contrário da prece, mas constitui o auge da mesma"...

A melhor preparação para celebrar a Eucaristia
O melhor meio de se preparar devota e dignamente para a Celebração Eucarística é manter o silêncio no recinto sagrado, inclusive na sacristia e locais próximos.

A esse respeito, Mons. Peter J. Elliott assinala com toda clareza:

"O silêncio é a melhor preparação para a Liturgia.
Exceto alguma música apropriada, não se deve permitir nenhum menosprezo ao direito que o povo tem à tranqüilidade antes da Eucaristia...
Se é tão importante a abstenção de falar e de perturbar com atividades inoportunas o recolhimento dos assistentes antes da Missa, mais ainda o é, obviamente, durante a Celebração.

Momentos de silêncio durante a Missa
O Missal Romano propõe vários intervalos de silêncio ao longo da Celebração da Eucaristia.

*No Ato Penitencial, o sacerdote e os fiéis devem fazer juntos um momento de silêncio antes da oração "Confesso a Deus todo-poderoso".

*Na Liturgia da Palavra, se parecer oportuno, pode-se observar um breve tempo de silêncio após cada leitura e também depois da homilia, para que todos tenham oportunidade de meditar brevemente sobre o que acabaram de ouvir.

*A Preparação das Oferendas - esse ato tão denso da Celebração, em que, terminada a Liturgia da Palavra, vaise passar para a Oração Eucarística - é um momento especial para criar um ambiente de recolhimento e interiorização. Para isso pode-se contar com a ajuda de uma música de fundo ou de um coral que interprete alguma peça polifônica.

*Terminada a distribuição da Comunhão, se for oportuno, o sacerdote e os fiéis oram algum tempo em silêncio, podendo a assembléia entoar ainda um hino, salmo ou outro cântico de louvor.

Comenta, a propósito, o Pe. Antonio Alcalde:

"Se não forem incentivados esses silêncios, a Celebração pode converterse em uma sucessão de palavras, orações e ritos amontoados uns sobre os outros, e nos encontraremos envolvidos na assistência rotineira, na dispersão, no ruído e, sobretudo, na falta de participação".

A Igreja dá tanta importância a esses períodos de recolhimento que os recomenda até mesmo nas Missas celebradas para as crianças, "para que não se conceda um lugar excessivo à ação externa, pois também as crianças, à sua maneira, são realmente capazes de meditar" e precisam aprender "a entrar em si mesmas e a meditar, rezar e louvar a Deus em seu coração".

"A ausência de iniciação ao silêncio na catequese, na vida de oração e na própria evangelização, é que acaba repercutindo na expressão litúrgica."

Finalidade dos intervalos de silêncio
Como se deduz facilmente pelo que foi dito acima, a natureza dos diversos intervalos de silêncio depende dos momentos da Liturgia em que eles são observados.

Assim, o silêncio recomendado antes de iniciar a Celebração, e o prescrito no Ato Penitencial, têm por finalidade mover os fiéis à concentração e ao recolhimento. Outros visam proporcionar aos assistentes um clima de meditação a respeito do que acabaram de ouvir nas leituras ou na homilia. Há também o silêncio que não pretende outra coisa senão o descanso e a espera, num ambiente de calma e tranqüilidade, como é o momento do Ofertório. Por fim, o tempo de recolhimento após a recepção do Corpo de Cristo cria uma atmosfera de interiorização e de apropriação, propícia aos atos de agradecimento e de louvor.

Outro conceituado tratadista de Liturgia, Juan Martín Velasco, acrescenta que é também indispensável na Missa o "silêncio de adoração", e diz que cada comunidade deve descobrir o ponto em que ele possa ser devidamente encaixado. Porque - explica ele - nenhuma celebração terá alcançado a altura religiosa exigível se, em determinado momento, "nós, que nela participamos, não cheguemos a ‘cair com o rosto em terra', a experimentar a insuficiência de nossas palavras, a torpeza de nossos melhores gestos, a inadequação de nossos pensamentos ante a Divina Majestade, o esplendor da beleza, a augusta santidade de nosso Deus" .


"... Amigos, não tenham medo do silêncio e da quietude, ouçam Deus, adorem-no na Eucaristia! Deixem que sua palavra forje o seu caminho como desenvolvimento da santidade..."
(PAPA BENTO XVI)

sexta-feira, 17 de junho de 2011

SILÊNCIO: Música para os meus ouvidos!

Já faz algum tempo, deixei de participar de celebrações na comunidade em que fazia parte, principalmente, por sentir uma grande necessidade de estar em um ambiente propício à oração, mais ainda, um ambiente que favorecesse meu encontro com Jesus, na maior das orações,
a Santa Missa.
Não sei se estou vivendo um momento mais instrospectivo, mas, será impressão minha ou realmente cada vez mais, nas nossas igrejas, o silêncio orante, tão precioso e indispensável está perdendo seu lugar?
A sensação que me dá, é que o silêncio no mundo, mas até em situações apropriadas, como na oração, na liturgia... incomoda! Será exagero dizer que está se tornando, muitas vezes, insuportável para as pessoas conviverem com o silêncio?
Lembro-me de ter participado de algumas celebrações, em que o sacerdote fazia questão que se observasse aquele breve momento de silêncio, após a comunhão, percebia muitas vezes reinar um certo constrangimento entre a assembléia, naquele silêncio "imposto", os músicos pareciam meio contrariados por terem sido privados de cantar uma música de ação de graças...
Pensando sobre isso, me veio à mente uma situação em que se colocam duas pessoas juntas, porém, elas não se conhecem direito, não tem amizade ou qualquer intimidade, o silêncio entre elas vai se tornando pesado, e para fugir desse embaraço, começam a puxar todo tipo de assunto ... Talvez isso também aconteça em nossa relação com Deus, se não temos intimidade com Ele, o silêncio diante da sua presença  torna-se sufocante.
Creio que cada um de nós deve redescobrir o valor do silêncio e buscar entender, como diz Frei Patrício Scandini, não o silêncio em si, mas por que silenciamos. Através do silêncio estreitamos nossos laços com o Senhor, com sua ajuda nos é revelado quem realmente somos, este talvez seja o nosso receio, nem sempre nos achamos preparados para nos encararmos frente a frente, com nossos medos, desilusões, com a solidão da alma...
Porém, é tempo de mirarmos o exemplo de Jesus! Dom Eusébio Sheid escreveu em um dos seus artigos que Jesus foi o maior Mestre do silêncio:

«Durante toda a sua infância e juventude, por quase 30 anos, levou uma vida escondida em Nazaré, sobre a qual nada sabemos, a não ser que Ele era submisso à sua Mãe e ao seu pai adotivo, São José, com quem aprendeu um ofício para ganhar a vida (cf. Lc 2,41ss ; Mt 13,55).»

«Mas um silêncio de 30 anos é algo que grita, que nos interroga. Por que isso? --questiona o arcebispo--. Ninguém jamais chegou a penetrar profundamente o que significa essa vida de Nazaré. Parece que Jesus se recolheu por 30 anos, para depois pregar nos 3 anos de sua vida pública, com maior intensidade, ensinando-nos o valor da quietude, do silêncio, do recolhimento, da solidão fecunda.»

Dom Eusébio explica que esse silêncio de Jesus continua, aprofundado nos 40 dias em oração no deserto, antes de começar a vida pública.

«Depois, noites inteiras no silêncio, na contemplação das coisas eternas, como na véspera da escolha dos Apóstolos (cf. Lc 6,12-16), ou antes de se entregar à Paixão (cf. Lc 22,39-46).»

«Silêncio, também, diante de Pilatos, em face das acusações de falsas testemunhas (cf. Mt 27,13-14); e diante de Herodes, a ponto de ser escarnecido pelo tetrarca e sua guarda (cf. Lc 23,8-11)», refere o arcebispo.

«Por fim, silêncio na própria sepultura, durante os 3 dias que antecederam a gloriosa Ressurreição. Esse silêncio fala muito forte, como, aliás, o silêncio das sepulturas sempre nos fala muito.»

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Pois é, meus irmãos, tenho aprendido a amar o silêncio, a buscá-lo cada vez mais e sinto falta dele, num lugar onde ele deveria "falar mais alto", na Liturgia da Santa Missa!


“Do meu ponto de vista e experiência, a regra do silêncio deveria estar em primeiro lugar. Deus não se comunica à alma tagarela que como zangão na colméia, zumbe muito, mas não fabrica nada. A alma tagarela é vazia interiormente. (…) A alma que não saboreou a doçura do silêncio interior é um espírito inquieto e perturba o silêncio dos outros”.
(Santa Faustina)

quinta-feira, 2 de junho de 2011

A MISSA É COMO UM POEMA NÃO SUPORTA ENFEITE!


Ao defender o esmero com as celebrações litúrgicas e a beleza como uma «necessidade vital» que deve permeá-las, a escritora brasileira Adélia Prado afirma que "a missa é como um poema, não suporta enfeite nenhum."


"A missa é a coisa mais absurdamente poética que existe. É o absolutamente novo sempre. É Cristo se encarnando, tendo a sua Paixão, morrendo e ressuscitando. Nós não temos de botar mais nada em cima disso, é só isso", enfatiza.
Ao propor a discussão do resgate da beleza nas celebrações litúrgicas, Adélia Prado reconheceu que essa é uma preocupação que a tem ocupado «há muitos anos». "Como cristã de confissão católica, eu acredito que tenho o dever de não ignorar a questão", disse.
"Olha, gente – comentou com um tom de humor e lamento –, têm algumas celebrações que a gente sai da igreja com vontade de procurar um lugar para rezar."
Como um primeiro ponto a ser debatido, Adélia colocou a questão do canto usado na liturgia. Especialmente o canto «que tem um novo significado quanto à participação popular», ele «muitas vezes não ajuda a rezar».
"O canto não é ungido, ele é feito, fazido, fabricado. É indispensável redescobrir o canto oração", disse, citando o padre católico Max Thurian.
Adélia Prado reforçou as observações, enfatizando que "o canto barulhento, com instrumentos ruidosos, os microfones altíssimos, não facilita a oração, mas impede o espaço de silêncio, de serenidade contemplativa".
Segundo a poeta, "a palavra foi inventada para ser calada. É só depois que se cala que a gente ouve. A beleza de uma celebração e de qualquer coisa, a beleza da arte, é puro silêncio e pura audição."
"Nós não encontramos mais em nossas igrejas o espaço do silêncio. Eu estou falando da minha experiência, queira Deus que não seja essa a experiência aqui", comentou.
"Parece que há um horror ao vazio. Não se pode parar um minuto. Não há silêncio. Não havendo silêncio, não há audição. Eu não ouço a palavra, porque eu não ouço o mistério, e eu estou celebrando o mistério", disse.
De acordo com a escritora mineira (natural de Divinópolis), "muitos procedimentos nossos são uma tentativa de domesticar aquilo que é inefável, que não pode ser domesticado, que é o absolutamente outro".
"Porque a coisa é tão indizível, a magnitude é tal, que eu não tenho palavras. E não ter palavras significa o quê? Que existe algo inefável e que eu devo tratar com toda reverência."
Adélia Prado fez então críticas a interpretações equivocadas que se fizeram do Concílio Vaticano II na questão da reforma litúrgica.
"Não é o fato de ter passado do latim para a língua vernácula, no nosso caso o português, não é isso. Mas é que nessa passagem houve um barateamento. Nós barateamos a linguagem e o culto ficou empobrecido daquilo que é a sua própria natureza, que é a beleza."
"A liturgia celebra o quê?" – questionou – "O mistério. E que mistério é esse? É o mistério de uma criatura que reverencia e se prostra diante do Criador. É o humano diante do divino. Não há como colocar esse procedimento num nível de coisas banais ou comuns."
Segundo Adélia, o erro está na suposição de que, para aproximar o povo de Deus, deve-se falar a linguagem do povo.
"Mas o que é a linguagem do povo? É aí que mora o equívoco, – disse – não há ninguém que se acerca com maior reverência do mistério de Deus do que o próprio povo."
"O próprio povo é aquele que mais tem reverência pelo sagrado e pelo mistério", enfatizou.
"Como é que eu posso oferecer a esse povo uma música sem unção, orações fabricadas, que a gente vê tão multiplicadas e colocadas nos bancos das igrejas, e que nada têm a ver com essa magnitude que é o homem, humano, pecador, aproximar-se do mistério."
Segundo a escritora brasileira, barateou-se o espaço do sagrado e da liturgia «com letras feias, com músicas feias, comportamentos vulgares na igreja».
»E está tão banalizado isso tudo nas nossas igrejas que até o modo de falar de Deus a gente mudou. Fala-se o “Chefão”, “Aquele lá de cima”, o “Paizão”, o “Companheirão”.»
«Deus não é um “Companheirão”, ele não é um “Paizão”, ele não é um “Chefão”. Eu estou falando de outra coisa. Então há a necessidade de uma linguagem diferente, para que o povo de Deus possa realmente experimentar ou buscar aquilo que a Palavra está anunciando», afirmou.
Para Adélia Prado, «linguagem religiosa é linguagem da criatura reconhecendo que é criatura, que Deus não é manipulável, e que eu dependo dele para mover a minha mão».
Com esse espírito, enfatizou, «nossa Igreja pode criar naturalmente ritos e comportamentos, cantos absolutamente maravilhosos, porque verdadeiros».
Ao destacar que a missa é como um poema e que não suporta enfeites, Adélia Prado afirmou que
a celebração da Eucaristia "é perfeita" na sua simplicidade.
"Nós colocamos enfeites, cartazes para todo lado, procissão disso, procissão daquilo, procissão do ofertório, procissão da Bíblia, palmas para Jesus. São coisas que vão quebrando o ritmo. E a missa tem um ritmo, é a liturgia da Palavra, as ofertas, a consagração… então ela é inteirinha."
 "Arte a gente não entende. Fé a gente não entende. É algo dirigido à terceira margem da alma, ao sentimento, à sensibilidade.
Não precisa inventar nada, nada, nada", disse Adélia.
E encerrou declamando um poema seu, cujo um fragmento diz:
Ninguém o cordeiro degolado na mesa,
o
sangue sobre as toalhas,
seu
lancinante grito,
ninguém
”.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Afinados com a Liturgia

Embora estes "podcasts", elaborados pelo Pe. Joãozinho tenham sido, primeiramente, destinados à formação do ministério de música, todos nós católicos, independente de participarmos ou não deste ministério, sempre nos beneficiamos destes conhecimentos, pois nos proporciona viver com mais intensidade a celebração da Santa Missa. Postei apenas um podcast, o restante você encontrará no link da "fonte".


segunda-feira, 9 de maio de 2011

O Protagonista é Cristo!


Embora essa afirmação seja óbvia, quem reconhece o valor da celebração da Santa Missa vai concordar comigo que em várias comunidades encontramos muitos exageros e excessos durante as celebrações litúrgicas, pois definitivamente muitos "acréscimos" que são colocados nas celebrações, não cabem dentro da sagrada Liturgia e isto sem falar em posturas equivocadas, leitores mal preparados,  ministérios de músicas que tocam e cantam com volume altíssimo, cantos impróprios, que nada tem de litúrgicos ... Enfim, falta formação e eu diria também uma mentalidade mais humilde, pois é preciso que "Ele cresça e eu diminua". Achei então, muito conveniente exibir um trecho de uma entrevista concedida ao Prof. Felipe Aquino por Dom Henrique Soares, Bispo auxiliar de Aracaju, SE. Reproduzi apenas um trecho que fala mais especificamente sobre a Sagrada Liturgia, mas o conteúdo na íntergra se encontra no Blog Escola da Fé.


"A LITURGIA É UMA GRANDE ESCOLA DE ESPIRITUALIDADE"
(Papa Bento XVI)

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Dá-nos o dom da escuta, Senhor!

"Não estava ardendo nosso coração quando ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?"
(Lc 24,32)

E quando não nos arde o coração diante da Sagrada Escritura?
Pior, e quando só há indiferença diante da Palavra que nos é dirigida?
Será que realmente a valorizamos?
Estes questionamentos me invadiram a alma, primeiro ao ler o post "Dicas para leitores na Missa", no Blog: Sou Catequista de Iniciação à Vida Cristã. Também após meditar sobre o Evangelho de hoje e ler um artigo de Dom Odilo P. Scherer sobre a Palavra de Deus.

Por exemplo, na celebração da Santa Missa, quantas equipes de Liturgia  entendem que valorizar a Palavra de Deus, é  preparar uma elaborada, ás vezes até exagerada Entrada da Palavra, pois quando não se usa o discernimento, se enfeita tanto com danças e outros artifícios, que mesmo sem ter essa  intenção, acabam por desviar a atenção do povo do que realmente importa: receber de modo "solene" o Senhor que nos vai falar por meio de Sua Palavra!
Outra incoerência é ver que, muitas das pessoas que estavam cantando, exaltando, fazendo reverências à Palavra e por fim a aplaudindo vigorosamente quando o sacerdote a ergue, momentos depois, quando ela é proclamada, não lhe prestam atenção, conversam... ou são pais que não tem o bom senso de acalmar suas crianças que choram, gritam, correm pela Igreja...
Quando o padre então nos "explica as Escrituras", como fez o próprio Jesus com os discípulos de Emaús, aí é pra chorar (desculpem a expressão)! Mas parece que no altar se acende uma plaquinha piscando com o aviso "intervalo", sim, pois ministros de música, pessoas da assembléia e outros que supõem ser este o momento ideal, para irem ao banheiro, tomarem água (cadê a sede de Deus?), tomarem um "arzinho", pessoas da Liturgia que vão acertar detalhes do ofertório, avisos que serão dados no final da Missa, enfim, como se diz na gíria, dão-lhe as costas e deixam o Senhor "falando"... 
Peço desculpas se exagerei no desabafo, talvez na sua Comunidade seja diferente e louvado seja Deus por isso, mas infelizmente na minha região, salvo alguma exceções, é uma triste realidade. Vejo que é uma falta de coerência que num momento a gente reverencie, aplauda o Senhor, Jesus Palavra, (isso até me faz lembrar Sua entrada triunfal em Jerusalém) mas logo após não damos a mínima para o que Ele fala...
Isto sem falar quando escolhem pessoas com dificuldades importantes de leitura, sem lhes oferecer ajuda e preparo, pois não tem nenhuma condição de proclamar a Palavra, então é a assembléia que é privada de ouvir a voz de seu Deus com clareza. 
Os discípulos de Emaús, embora cegos de desânimo e tristeza, a princípio não reconheceram o Mestre, mas, ouvindo atentamente Sua Palavra, puderam mais tarde O reconhecer no partir o Pão.
E quem é indiferente à Deus, na mesa da Palavra, será capaz de reconhecer Jesus, na mesa da Eucaristia?

"É necessário valorizar a Palavra de Deus em todas as celebrações litúrgicas, de modo especial, na Missa. Toda liturgia está impregnada da Palavra de Deus, que nos é proporcionada através das leituras bíblicas, das antífonas e salmos, da homilia litúrgica e de muitas expressões que permeiam, com abundância, todos os textos das celebrações da Igreja. A liturgia é o lugar privilegiado do anúncio e da acolhida da Palavra de Deus. Antes da leitura da Palavra nas celebrações, e também fora delas, devemos invocar sempre o Espírito Santo, para que Ele nos revele o sentido das Escrituras: “Ele vos ensinará toda verdade” (Jo 16,13). Ao mesmo tempo, nossa atitude deveria ser a do discípulo, que senta aos pés do Mestre e, com atenção e interesse, não perde nenhuma palavra ouvida, como fez o menino Samuel: “fala, Senhor, teu servo escuta” (1Sm 3,9); ou, como Maria, irmã de Marta e Lázaro: “Maria escolheu a melhor parte” (Lc 10,42)".
(Dom Odilo P. Sherer, Cardeal Arcebispo de SP)

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