quarta-feira, 27 de julho de 2011

MARIA, Mãe de todos nós!

Há  alguns dias atrás, assisti em noticiário de tv local, uma matéria que me deixou muito indignada:

"Um fotógrafo e artista plástico causou polêmica na Cracolândia, região central de São Paulo conhecida pela presença de usuários de drogas, ao instalar a imagem de Virgem Maria à frente de uma parede com fundo azul e as seguintes inscrições em dourado sobre ela: “Nossa Senhora do Crack”.
... A obra do artista estava na fachada de uma casa abandonada até a manhã deste sábado (23), quando dependentes químicos revoltados com o uso da imagem a destruíram."
( Fonte: Site G1)

Pois bem, fiquei realmente revoltada com o que "julguei" ser uma imensa falta de respeito, porque embora tenha certeza de que Maria está sempre ao lado de todos os seus filhos, especialmente os mais sofridos, relacionar Nossa Senhora com o crack, aí já era demais!
Nos dias que se seguiram procurei acessando o site da arquidiocese de SP, algum pronunciamento para que eu pudesse me posicionar de acordo com o parecer de nossa Igreja e confesso que a princípio fiquei meio desapontada...


"Dom Odilo relatou que se comoveu ao ver uma fotografia do local da imagem. “À frente da imagenzinha, duas pessoas agachadas na calçada, cabeça coberta, possivelmente drogadas, em atitude de oração. Ao lado, um cachorro, fazendo-lhes companhia...”, disse.
“Essa pessoa, talvez desesperada e tomada de angústia, sentido-se só e abandonada de todos, encontrou conforto e amparo na imagem da Mãe do Salvador, ‘Nossa Senhora do Crack’! Não é profanação. A Mãe de Jesus é também a mãe de todos os homens: "filho, eis tua mãe”, destacou o cardeal."


Ontem na rádio 9de julho, Dom Odilo concedeu uma entrevista, falando ao povo católico sobre o fato.
Com muita sabedoria, serenidade e tranquilidade, Dom Odilo começou dizendo que entendia os dois lados. Entendia a indignação daqueles que consideraram como falta de respeito aquela obra e até concordou que o nome dado à santa não foi a melhor escolha, mas, que também entendia a motivação que levou o artista plástico a colocar a imagem no local, que não era a de ofender nossa religião, mas de chamar atenção para o sofrimento dos dependentes químicos e que a imagem de Nossa Senhora trazia conforto àquelas pessoas. Disse ainda, que a Mãe está sempre ao lado dos filhos que mais sofrem, portanto, sim, Nossa Senhora está presente naquele "vale de lágrimas", junto deles, como esteve de pé, diante de seu Filho crucificado.
Pe. Júlio Lancelotti que trabalha com moradores de rua e dependentes químicos apoiou a iniciativa de se levar uma esperança para quem vive no mundo das drogas, comentou também sobre a imagem destruída:
  "Agora quebrada ela ficou mais parecida com o povo que está aqui, machucado, desfigurado..."

Refletindo sobre tudo isso, a minha admiração pelo nosso arcebispo que já era grande, cresceu ainda mais...
Claro, continuo achando e concordando com nosso pastor, que o título dado à imagem deveria ser mudado, mas, como é importante para um cristão buscar adquirir essa capacidade de "ler" sob à luz dos ensinamentos de Cristo, os fatos e acontecimentos de nosso tempo. Me dei conta da minha impulsividade em julgar e condenar uma situação, sem me preocupar em me colocar no lugar do outro, ou avaliar os fatos sobre outros ângulos. Parece que todos nós cristãos ou não, vivemos continuamente "armados", cheios de uma autodefesa nociva para a convivência fraterna, onde são gerados a desconfiança, a impaciência, a intolerância, o preconceito ...

Falando sobre isso, no dia 7 de julho, segundo o site "Terra notícias", a campanha nacional do desarmamento completou dois meses, recolhendo mais de 9 mil armas... Sem dúvida, uma campanha mais do que válida... No entanto, também é certo que o maior e pior "armamento" que existe e que move atos violentos e insanos, nem sempre é entregue com a arma e por vezes é mantido e guardado a sete chaves: o desamor. Tudo é muito paliativo, quando não deixamos cair por terra estes armamentos pesados que muitas vezes se instalam em nosso coração!

Na reportagem que descrevi acima, onde enxerguei apenas falta de respeito, a Igreja foi além, com o discernimento do Espírito Santo que a acompanha, ela enxergou VIDAS! E vidas que estão se perdendo!
Usando uma conhecida frase, podemos dizer, que aquelas pessoas presas ao vício, expostas à discriminação e preconceito, não fazem mais do que rascunhar suas vidas... Muitas delas não terão tempo para passar à limpo!


"ONDE A DOR É IMENSA, A SOLIDARIEDADE DEVE SER INFINITA!"
(Pe. Cido Pereira)


6 comentários:

  1. Olá! Por motivo de viajem ao (Muticom-RJ), fazia dias que não visitava o seu blog, porém, fiquei muito feliz ao ver que continua com a qualidade e encanto nos artigos muito bem postados.
    Grande abraço na Paz e no Amor de Cristo,

    Reinaldo

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  2. Oi Cátia...é uma questão polêmica pelo fato do nome dado... As imagens, sabemos qual sua finalidade e acho que nesses lugares onde só se v~e sinais de morte, precisariam sim de muitos sinais de vida, e essa imagem colocado naquele lugar poderia sim ser sinal, ser lugar de refugio para muitos e porque não dizer caminho de conversão... Acho que deveriam insistir na idéia, mas com a cautela de não denegrir a imagem de nossa querida mãe...Será que essa pessoa ao colocar o nome, não teve a intenção de colocar NossaSenhora, como intercessora dos usuários do crack? Será que ele não soube se expressar bem? Vai saber!! Que nossa Senhora, interceda por cada uma desses seus filhos amados que anda perdido no mundo das drogas...
    Beijo Grande Cátia!! Gostei das palavras de Dom Odilo...
    Imaculada

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  3. Sabe Cátia, penso nesse fato sobre outro ângulo... Não vejo como um ato profano, mas acredito que devemos ver essa exposição da imagem de Nossa Senhora, muito mais do que um "alento" àquelas pessoas que encontram-se tão a margem da vida. Talvez o objetivo do artista tenha sido outro: o de trazer a tona a completa imobilidade de nossa Igreja frente a problemas tão graves. Nós sabemos que somente orar pelos que sofrem sem nenhum ação concreta, jamais vai mudar a sociedade. A Fé precisa inteirar-se da vida... A Igreja precisa fazer alguma coisa!!!

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  4. Ângela, talvez não tenha me expressado bem... a minha primeira impressão foi de enxergar uma falta de respeito, mas, procurando ver qual o posicionamento da Igreja, percebi meu equívoco, e lhe digo mais: A IGREJA ESTÁ FAZENDO, SIM, ALGUMA COISA! Na minha paróquia mesmo, temos um sacerdote salesiano que faz um trabalho conjunto com outros irmãos de sua congregação, junto aos dependentes químicos da cracolândia, uma vez por semana. Os frutos?
    Desse trabalho árduo e extenuante, já conseguiram retirar de lá, um pouco mais de 200 pessoas. Só que claro, essas vitórias de Deus, não interessa à mídia anunciar...
    Fora outros movimentos que também atuam lá: Fraternidade "O Caminho", "Missão Belém", entre outros...
    É evidente que os operários ainda são poucos, diante de tantas vidas que se perdem, mas, decididamente, a fé em nossa Igreja não é morta, e se edifica em obras, graças ao "sim" de muitos batizados!
    Bjos, Paz e bem!
    Cátia

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  5. Sim, existem muitas pessoas trabalhando em prol da melhoria da sociedade... mas como vc disse ainda são tão poucos... As vezes fico um pouco revoltada com o grande esforço de comunidades inteiras para a construção de tão belas catedrais e ações mínimas para ajudar o povo que sofre... Na minha cidade por exemplo não existe NENHUMA ação da Igreja católica no sentido de ajudar dependentes químicos... As clínicas e centros de reabilitação são pouquissimas e as que existem são de iniciativa de nossos irmãos evangélicos.

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  6. Pois é Angela, creio que tbém falta para cada um de nós católicos, a consciência que "Igreja" não é definição apenas para uma instituição religiosa, administrada pelo clero... Igreja somos todos e cada um de nós! Guiados pelos nossos pastores, mas com a igual responsabilidade e compromisso de ser sal da terra e luz do mundo. Podemos sim, cobrar iniciativas da Igreja, sem esquecer, porém, que somos e fazemos parte dela... Aonde "notamos" não existem iniciativas, podemos sugerir, motivar... acredito que Deus sempre nos inspira, de um jeito ou de outro, a "ser" Igreja!
    É triste ver tantos campos de missão abandonados, carecendo do "sim" dos chamados... Animemo-nos, porém, dando a "nossa" resposta generosa ao Senhor, na esperança viva que outros nos seguirão...

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